quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Só vitória, bênção pura!

Maldito o dia em que nasci! Não seja bendito o dia em que me deu à  luz minha mãe! Maldito o homem que deu as novas a meu pai, dizendo: nasceu-te um filho!, alegrando-o com isso grandemente. Por que não me matou Deus no ventre materno? Por que minha mãe não foi minha sepultura? Ou não permaneceu grávida perpetuamente? Por que saí do ventre materno tão somente para ver trabalho e tristeza e para que se consumam de  vergonha os meus dias?

Pereça o dia em que nasci e a noite em que se disse: foi concebido um homem! Converta-se aquele dia em trevas; e Deus, lá de cima, não tenha cuidado dele, nem resplandeça sobre ele a luz. Reclamem-no as trevas e a sombra de morte; habitem sobre ele nuvens; espante-o tudo o que pode enegrecer o dia. Por que não morri eu na madre? Por que não expirei ao sair dela? Por que houve regaço que me acolhesse? E por que peitos, para que eu mamasse? Porque já agora repousaria tranquilo; dormiria, e, então, haveria para mim descanso, ou como aborto oculto, eu não existiria, como crianças que nunca viram a luz. Por que se concede luz ao miserável e vida aos amargurados de ânimo, que esperam a morte, e  ela não vem? Eles cavam em procura dela mais do que tesouros ocultos. Aquilo que temo me sobrevém, e o que receio me acontece. Não tenho descanso, nem sossego, nem repouso, e já me vem grande perturbação.

Fui três vezes fustigado com varas; uma vez, apedrejado; em naufrágio, três vezes; uma noite e um dia passei na voragem do mar; em jornadas, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos entre patrícios, em perigos entre gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; em trabalhos e fadigas, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez. Além das coisas exteriores, há o que pesa sobre mim diariamente, a preocupação com todas as igrejas.

Fui torturado, não aceitando meu resgate, para obter superior ressurreição; Fui apedrejado, provado, serrado pelo meio, morto a fio de espada; andei peregrino vestido de peles de ovelhas e de cabras, necessitado. afligido, maltratado, errante pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra.


Todos os trechos que você leu acima foram reproduzidos ao pé da letra ou adaptados das passagens Jeremias 20; 2 Coríntios 11; Hebreus 11; e Jó 3. 

Eles mostram como um homem de Deus, amado pelo Senhor, pode enfrentar montes de tribulações nesta vida, o que desautoriza completamente a Teologia da Prosperidade e o triunfalismo que é pregado em muitos púlpitos, que defendem que a vida do crente é só vitória, bênção pura. [grifos nossos]


Quem tiver ouvidos para ouvir, ouça.


Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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Fonte: Blog Apenas
Autor: Maurício Zágari

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