quinta-feira, 12 de abril de 2012

[Família] Casei errado. E agora?

Autor: Maurício Zágari*
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Tenho chorado. Literalmente. Leio comentários aqui no APENAS, no Facebook ou de pessoas que pedem meu e-mail e me escrevem contando suas histórias e pedindo conselhos – ou somente para desabafar. Alguns desses textos, confesso, me levam às lágrimas, simplesmente porque eu gostaria de responder uma coisa mas a Bíblia me diz que responda outra, que eu não quero responder. Mas é a frase de Atos dos Apóstolos: “Antes importa agradar a Deus do que aos homens”. Por isso, eu, como cristão, não posso aconselhar ninguém que não seja tomando por base as Sagradas Escrituras. E muitas vezes isso me dói ao ponto de a dor transbordar em lágrimas. “Mas, Zágari, do que você está falando?”. Querido irmão, querida irmã, estou falando de um assunto que tem lotado minha caixa de entrada de e-mails: cristãos infelizes no casamento. Cristãos que não amam seus cônjuges. Sim, isso existe e, pelo que tenho visto, numa proporção maior do que gostaríamos de admitir. Pressionados por suas igrejas, enganados por falsas profecias e “revelações”, acreditando que “construirão o amor com o tempo”, seduzidos pela ânsia de ter filhos, com medo de viverem sós, enfim, seja qual for a razão errada, milhares de milhares de servos sinceros de Deus estão entrando num matrimônio fadado à falência. Simplesmente porque se casam sem amor, o alicerce de um enlace matrimonial. Uma pessoa querida está vivendo esse problema e me pediu que escrevesse sobre isso. Mantenho tal pessoa no anonimato, mas aqui compartilho minha reflexão sobre pessoas que casam sem amor e o que fazer a partir daí.

Peço desculpas desde já pois este post é um pouco longo. Mas, pela seriedade do assunto, preciso abordar o tema com muito cuidado, tato, detalhamento e respeito às Escrituras. Pois muito do que será dito aqui pode entristecer pessoas e é fundamental que fique claro que estou baseando absolutamente tudo o que digo na Bíblia. Ou seja, se algo te entristecer, que não seja por achismos meus nem por uma má hermenêutica, mas pela compreensão de que a soberana e absoluta vontade de Deus corre muitas e muitas vezes o risco de contrariar o que seria mais cômodo para a minha e a sua vida. Respiremos fundo e vamos lá – tendo em mente o tempo inteiro as palavras do Cristo: “Então Jesus disse aos seus discípulos: ‘Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, a encontrará’.”

Recentemente escrevi o post As razões de casamento e divórcio entre cristãos, com base numa enquete que mostrou que 19% dos cristãos que votaram não acham que o amor deve ser a causa principal de um matrimônio. Se você não o leu acesse o post e entenderá biblicamente por que o amor bíblico (de João 3.16) é a única razão que deve levar homem e mulher a firmar um compromisso de união pelo resto de suas vidas.  E, meu irmão, minha irmã, esse post fez chover testemunhos, inclusive um de uma pessoa próxima a mim, que amo e que não sabia que vivia esse problema. Assim, chorei.

Já tinha sentido o gosto do problema meses atrás, quando publiquei no APENAS um post chamado Solitários, carentes e infelizes, em que falo sobre as pessoas que se casam por N motivos errados e assim se condenam à infelicidade pelo resto de suas vidas, ao divórcio ou até mesmo a “soluções” mais drásticas. Na ocasião, a quantidade de depoimentos de pessoas que passam por isso e que vivem uma situação de solidão a dois me impressionou. Agora, com o novo texto do APENAS, a enxurrada só aumentou. Vou relatar alguns casos, mudando algumas informações, para preservar a identidade de quem me escreveu.

Recentemente, uma irmã entrou no espaço dos comentários e me pediu meu e-mail. Conversamos. E ela confessou que vivia tão infeliz no casamento que estava pensando seriamente em suicídio. Mãe, esposa, cristã e… suicida. Meu Deus… Tudo porque casou-se errado e hoje não suporta a mentira em que vive. Esse contato e o de tantas outras irmãs (geralmente quem escreve são mulheres, os homens simplesmente dão seu jeito e vão em frente) me fizeram voltar a refletir sobre o assunto e a escrever sobre ele. Pois praticamente todas(os) os que me escrevem terminam da mesma forma: “Estou miseravelmente infeliz. E o que faço agora?”

Vejamos um caso: “Eu não gostava tanto assim dele enquanto namorávamos, mas muitas pessoas da igreja me diziam que amor se constrói, que eu aprenderia a amá-lo. Afinal ele era um rapaz tão bom pra mim, espiritual, tinha um bom emprego, era um dos mais cobiçados da igreja”, contou uma das  irmãs. Curiosamente é uma coisa que tenho ouvido com alguma frequência: “Amor se constrói”. Não acredito nisso. Acredito que amor se mantém. Se preserva. Se alimenta. Mas… se constrói? Me soa muito estranho. Deus, que é amor, disse “Eu Sou”. O amor é. Ele não “pode vir a ser”. E todas as pessoas que entraram em roubadas matrimoniais acreditando que o tempo resolveria a falta de amor e que deixaram depoimentos nos comentários aqui do blog descobriram com o passar dos anos que o conto-de-fadas do amor que se constrói não passa de um conto da carochinha. Simplesmente porque não se pode construir algo do nada. Se não há amor no ponto de partida não haverá amor na linha de chegada. E a maratona será árdua.

Outra irmã desabafou: “Eu tive três filhos com ele ao longo de 15 anos de casamento. Olho para eles e, em vez de sorrir, eu choro, pois cada um deles tornou-se um memorial da minha infelicidade. Hoje em dia só de pensar em me deitar com meu marido me dá asco”, confessou-me com uma franqueza que me impactou e me entristeceu profundamente. Em vez de ter em seus filhos a lembrança de uma história de amor vê neles marcos de infelicidade e arrependimento. “Se fosse possível eu os empurraria de volta ao meu útero, só para não lembrar da minha tristeza que não passa e eu tenho que fingir para todos que não existe. Vivo um eterno teatro”, foi além essa mãe em seu desabafo. Detalhe: todas são palavras de uma cristã.

Outra pessoa querida, também serva de Deus, me confidenciou: “Não tive um ‘maurício’ para iluminar a mente e estou casada. E quando li o que você escreveu confirmei que meu casamento foi precipitado demais. Me sinto culpada e mal, já que tenho um filho que é meu amor. Casei sem amá-lo”, contou-me essa irmã. Mas ela prosseguiu em seu relato, que me cortou o coração: “Tudo errado, quero fugir! Achei que as qualidades dele fossem superar tudo e eu o amaria muito com o tempo. Exatamente como você escreveu, eu tinha medo de ficar sozinha… Tinha o sonho de ser mãe…”

E foi então que ela disparou a pergunta que eu não queria responder, e que todos os que estão vivendo essa situação fazem: “O que fazer agora??”. Ai. Vamos lá.

O que eu gostaria de responder? O que o mundo responderia: divorcie-se, vá buscar a sua felicidade. Mas não posso responder isso. Estou atado à Palavra revelada do Criador do universo. E tenho de responder conforme Ele nos ensina:

1. Deus odeia o divórcio. Isso está claro em Malaquias 2.16. Então o divórcio não é uma opção. Isso se confirma em Mateus 19: “Vieram a ele [Jesus] alguns fariseus e o experimentavam, perguntando: É lícito ao marido repudiar a sua mulher por qualquer motivo? [Observe que aqui eles perguntam QUALQUER MOTIVO]. Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem. Replicaram-lhe: Por que mandou, então, Moisés dar carta de divórcio e repudiar? Respondeu-lhes Jesus: Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio”.

Ou seja, Deus odeia o divórcio e, no principio, no estado perfeito das coisas, Deus não permitira o que o homem Moisés permitiu. Separação de um matrimônio é, portanto, algo antinatural aos olhos do Criador.

2. Um dos assuntos sobre os quais Jesus fala com mais clareza na Bíblia é sobre o divórcio. Simplesmente porque essa questão lhe foi perguntada diretamente. E a resposta dele é absolutamente clara, como consta em Mateus 19.9 em diante “Eu, porém, vos digo: quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério e o que casar com a repudiada comete adultério”. Ou seja, embora Deus odeie o divórcio, Jesus abre uma única exceção – e não me pergunte por quê, eu não sei: relações sexuais ilícitas, ou, no original grego, “porneia”. Isso incluiria adultério, prostituição, sexo com animais ou qualquer outro tipo de desvio sexual. É a única exceção que encontramos no Novo Testamento.

Marcos 10 reconta essa passagem: “E, aproximando-se alguns fariseus, o experimentaram, perguntando-lhe: É lícito ao marido repudiar sua mulher? Ele lhes respondeu: Que vos ordenou Moisés? Tornaram eles: Moisés permitiu lavrar carta de divórcio e repudiar. Mas [observe o termo que a Bíblia usa: "Mas". Que significa "por outro lado", "todavia", "de forma diferente", "em oposição a", "em discordância a"] Jesus lhes disse: Por causa da dureza do vosso coração, ele vos deixou escrito esse mandamento; porém desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, deixará o homem a seu pai e mãe e unir-se-á a sua mulher, e, com sua mulher, serão os dois uma só carne. De modo que já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem [repare que a vontade do homem é nitidamente submissa à do Criador]. Em casa, voltaram os discípulos a interrogá-lo sobre este assunto. E ele lhes disse: Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério contra aquela. E, se ela repudiar seu marido e casar com outro, comete adultério”.

É bíblica a separação de corpos e o celibato?

Creio que está claro que o divórcio não é uma opção. Outra teoria alega que, se há infelicidade no casamento, o casal poderia separar-se mas manter-se solitário, sem novos relacionamentos e preservar-se celibatário. A esse respeito, no Sermão do Monte, em Mateus 5.31, o Mestre reafirma a posição celestial: “Também foi dito: Aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio. Eu, porém, vos digo: qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério”.  Repare com muita atenção o que Ele diz: se alguém repudia o cônjuge exceto pela “porneia” o expõe a se tornar adúltero. Então é nítido que essa separação proposta de corpos é uma porta de entrada ao adultério e aquele que optou pelo afastamento expõe o outro a adulterar. Logo, a teoria antibíblica de um casal rompendo o padrão original moldado por Deus no início e vivendo afastado tentando o celibato também é repudiada por aquele que, segundo João 1, participou da criação de todas as coisas.

Nesse ponto o adepto da ideia de que é possível separar-se desde que se mantenha o celibato e a solidão alega que Jesus disse que é permitido “manter-se eunuco” (ou seja, sem ter relações sexuais). Ou seja, segundo essa linha de pensamento, bastaria permanecer sem se casar e sem fazer sexo e isso garantiria a aprovação de Deus do seu divórcio (o que contraria a ordem original da união de um casal). Só que, aí, vamos à Bíblia e lemos na sequência de Mateus 19: “Porque há eunucos de nascença; há outros a quem os homens fizeram tais; e há outros que a si mesmos se fizeram eunucos, por causa do reino dos céus. Quem é apto para o admitir admita”. Sim, Jesus diz que os celibatários existem. A questão é: onde aqui o celibato é justificado por “infelicidade no casamento”? “Por causa do reino dos céus” seria a justificativa? Não, pois essa é uma péssima hermenêutica.  O caso aqui, ao se comparar ao celibato de Paulo, por exemplo, é de abster-se de ter uma família para se dedicar às coisas de Deus. Não tem absolutamente nada a ver com um casamento mal-sucedido e quem usa essa passagem para tal faz violência às Escrituras.

Paulo, a partir de 1 Coríntios 7.11,  levanta novamente a questão do afastamento: “Ora, aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido, (se, porém, ela vier a separar-se, que não se case ou que se reconcilie com seu marido); e que o marido não se aparte de sua mulher”.  Aqui alguém poderia vibrar: uma brecha em tudo o que a Bíblia disse até agora! Calma. Não é bem assim. Leia com atenção: o apóstolo diz que o Senhor ORDENA que o cônjuge não se separe do outro. Ponto. Incontestável e completamente de acordo com o resto das Escrituras. Mas… ele continua entre parênteses, ou seja, fazendo um adendo ao que é absoluto: “Se, porém, ela vier a separar-se”. Quando lemos que Deus ORDENA que não se separe mas em seguida vemos “se, porém, ela vier a separar-se”, o que fica claro para quem lê com olhos imparciais?

Desobediência.

Ou seja: se o cônjuge desobedece a ordem de Deus e persiste no seu intento de separar-se, vejamos o que é dito: “que não se case ou que se reconcilie com seu marido”. O que se entende disso? Que se a pessoa desobedeceu o Criador e fez o que Ele proibiu, que, no mínimo, para minimizar o estrago, não se case. Ou que faça o que Deus deseja: se reconcilie com o cônjuge. Tanto que Paulo orienta o repudiado a não se afastar de quem se afastou dele. E por que ele diria isso? Para que haja a reconciliação. Veja que essa passagem, usadíssima para justificar a separação de corpos e de vidas entre casais infelizes, mostra que Deus ordena (pense no peso dessa palavra) que não haja separação, mostra que os desobedientes não devem se casar e que o correto é a reconciliação, a ponto de dizer ao repudiado, parafraseando: “Se você foi abandonado, não parta para outra, permaneça perto de quem te abandonou, com vistas à reconciliação.

Resumo da ópera: se alguém peca (desobedece a ordem de Deus) e se afasta do cônjuge, mesmo “que não se case”, isso não deixa de constituir pecado. E a solução para esse pecado é voltar para casa. Divórcio, logo, Deus odeia e é pecado.

3. Jesus manda perdoar 70 vezes 7, ou seja, mesmo que haja relações sexuais ilícitas, o perdão do cônjuge e a tentativa de reconciliação devem ser sempre a primeira alternativa.

E aí? O que fazer?

Ou seja: em momento nenhum da Bíblia a “falta de amor” ou a “infelicidade” dão base para uma separação. Duro. Mas verdadeiro.  E aí retornamos à pergunta da irmã: “O que fazer agora??”. E é aqui que eu gostaria de sair correndo, de me esconder. Pois as respostas são difíceis de se ouvir. Mas lá vou eu encarar a Bíblia, correndo o risco de ser chamado de legalista, fariseu, biblicista ou de não ter graça no coração – como já me acusaram algumas vezes porque eu digo o que a Bíblia diz e não o que as pessoas querem ouvir.

Fato é que se a pessoa vive um casamento infeliz, o que ela deve fazer é pedir de Deus um milagre. Pela Bíblia, não há outra resposta.

A boa noticia é que Deus faz milagres. E, nesse caso, o milagre seria a paz de Cristo tomar conta do casal a ponto de conseguirem, se não em amor pleno, viver em harmonia, respeito, companheirismo e outras virtudes. Dois grandes amigos compartilhando uma vida. Eu sei, muitos vão discordar, que voem as pedras – afinal vivemos numa civilização hedonista, onde o prazer e a alegria são os fatores mais importantes do ser humano, superando em muito a obediência a Deus. Só que cumprir o querer de Deus deve ser o primordial em nossas vidas, antes de qualquer benefício pessoal – afinal, fomos criados para a Sua glória e não para o nosso bem-estar e prazer.

Não vejo absolutamente nenhuma base bíblica que mostre que Deus constrói amor onde ele não existe. Se houver, por favor me mostrem, pois revirei as Escrituras ao avesso, li sobre o assunto de diversas fontes e não encontrei. Nem que fosse um único versículo que diga que por fazer uma corrente de sete semanas você passará a amar subitamente o marido que não ama. Isso simplesmente não está na Bíblia. E, por favor, não cometa erros hermenêuticos como “tudo posso naquele que me fortalece”. Não tire textos do contexto para tentar justificar o injustificável. Por isso falei em milagre.

Deus abriu o mar? Abriu o Jordão? Parou o Sol? Curou cegos, leprosos e paralíticos? Então o soberano Deus pode fazer o que bem quiser. E, pela subversão da ordem natural das coisas (que chamamos “milagre”) é capaz de transformar água em vinho. Mas para isso é preciso que haja água. Para ressuscitar um morto é necessário que antes houvesse vida. Para fazer um casamento frutificar é preciso que antes tenha havido amor. Aí Deus entra, conserta as rachaduras, desempena as portas, costura as cortinas e o Sol volta a brilhar. Mas se o casamento ocorreu sem amor, por qualquer razão errada… Aí só um milagre. E milagres não acontecem todos os dias.

Essa, minha irmã, meu irmão, é a realidade. Deus nos permite escolher com quem casar. A escolha é SUA. Se escolher pelos motivos errados, biblicamente terá de colher o que plantou: falta de amor. Triste sim. Mas não posso mentir a você para deixá-la  mais sorridente. Perceba: se você, por decisão própria, um dia decepar uma de suas pernas, não espere que Deus vai fazer brotar outra nova no lugar. Ele poderia fazer esse  milagre? Poderia fazer surgir uma perna nova? Claro! Ele pode tudo! A pergunta é: quantas vezes você já viu ou ouviu falar que o Senhor fez isso? Eu não conheço nem nunca soube de nenhum caso concreto. Assim, com que frequência Deus faria o milagre de fazer brotar amor onde ele nunca houve? Pode acontecer? Sim. É provável? Aí já é discutível.

Preparado para ouvir a realidade? O que é bíblico? Então vamos lá: se você decepar sua perna, as chances são que você tenha de viver o resto da vida sem ela, suportando a situação, dependente de uma muleta ou de uma cadeira de rodas. É triste, é difícil, eu não gostaria de te dizer isso. De igual modo, se você casou sem amor, as chances são que você tenha de viver o resto da vida num casamento sem amor, suportando a situação, dependente da força de Deus e do fruto do Espírito. É triste, é difícil, eu não gostaria de te dizer isso.

Mas é a verdade.

Este sem dúvida é o post mais difícil que já escrevi. Pois sempre que escrevo, procuro encaixar o texto na tríade de funções da profecia: exortação, consolo ou edificação.  Mas não consigo encaixar este em nenhuma das três categorias. É um post sobre a soberania e a vontade de Deus (que é boa, perfeita e agradável), sempre sob a sombra da graça. Resta a todos os irmãos e as irmãs que estão enfrentando o deserto de um casamento sem amor olhar para Deus, Sua graça e Sua misericórdia e falar como Jó, que no momento de maior desespero e angustia adorou o Todo-Poderoso e disse: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!”. Isto é: seja feita a vontade do Altíssimo, assim na terra como no Céu. Romanos 9.14 afirma: “Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum!”. Bendito seja o nome do Senhor. E, como em tudo devemos dar graças, mesmo na tribulação o faremos.

Caminho para o fim deste difícil post com um peso sobre as costas, mas com mais uma passagem bíblica. Na sequência da explanação de Jesus sobre o porquê de Ele estar subvertendo o que Moisés estipulou humanamente, em Mateus 19, os discípulos mostram que a resposta do Mestre os deixou bem desconfortáveis, para não dizer revoltados. Como muitos leitores devem estar se sentindo. Pois os discípulos (e talvez você) certamente queriam que o Senhor viesse com alguma fórmula mágica que resolvesse os casamentos infelizes, que fosse tiro e queda, bate-pronto e, assim, desse um jeito de validar o divórcio e resolver num estalar de dedos os problemas de milhares de pessoas que vivem um matrimônio em que não gostariam de estar. Por isso, eles peitam Jesus, no versículo 10: “Disseram-lhe os discípulos: Se essa é a condição do homem relativamente à sua mulher, não convém casar”. E aí, perdoem-me os que consideram os argumentos aqui apresentados legalistas (detalhe: só expus argumentos do Novo Testamento), mas concluo não com a Lei, mas com as palavras do próprio Cristo  (que, acredito eu, não era legalista) no versículo 11. Palavras que não dão uma resposta fácil, rápida e pronta, mas sim a que conveio a Deus. Não me culpem, por favor. Apenas reproduzo o que o Criador do Universo disse: “Jesus, porém, lhes respondeu: Nem todos são aptos para receber este conceito, mas apenas aqueles a quem é dado”.

Oro a Deus por cada irmão e irmã que vive um casamento infeliz. Oro com toda a minha alma, com dor no coração e cheio de solidariedade e carinho. E peço para esses um milagre. Peço consolo. Peço restauração e uma vida de abundância em Cristo. Peço graça. Que suas famílias sejam abençoadas. Também deixo um alerta aos solteiros: NÃO SE CASEM SEM AMOR. Não se casem sem o amor sacrificial de João 3.16. Para que não venham a sofrer no futuro. Aos que já sofrem, oro ao Deus do impossível que sare suas feridas. Que os faça felizes apesar dessa dificuldade. E que lhes traga a paz que excede todo o entendimento.

Paz. Como precisamos dela. Por isso desejo paz também a todos vocês que estão em Cristo.

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Fonte: Blog Apenas

*Vencedor do Prêmio Areté 2011 nas categorias "Autor Revelação" e "Melhor Livro de Ficção" por "O Enigma da Bíblia de Gutemberg" (migre.me/7jDrW)

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