domingo, 20 de janeiro de 2013

Como lidar com alguns problemas da vida

Como enfrentarmos algum problema que, possivelmente, vem consumindo/aprisionando a nossa saúde mental, física ou espiritual? 

Antes de analisarmos este tema, faço questão de dizer que não é minha pretensão esgotar ou apresentar uma solução definitiva, pelo contrário, quero fazer uma abordagem resumida, e, que Deus, através do Espírito Santo, venha dar discernimento para que possamos encarar determinadas situações adversas por outro enfoque, que não aquele que estamos habituados.

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Partindo do pressuposto que não lidamos com problemas se prostrando perante eles, e, menos ainda, reclamando ou procurando culpados (embora, na maioria das vezes, seja dificílimo evitar tais práticas).

O problema da legalidade (estrita) e da autossuficiência

Existem diversas formas de encararmos problemas/adversidades/tentações na vida. Entre elas, estão a obediência estrita a regras/leis (de conduta, religiosas, morais) e/ou a autossuficiência ("caminhar com as próprias forças").
Uma forma alternativa de enfrentarmos é através da liberdade, pois de maneira diversa, uma hora ou outra, poderemos sucumbir e não entendermos o propósito da queda, gerando sentimentos revoltosos (não aceitação, ira, procura de culpados etc.).

Explico.
Se nós tentarmos lidar com alguma situação obedecendo friamente alguma base legal (lei/regras/costumes/etc), num momento de dificuldade/falta de discernimento, poderemos sucumbir. Basta que haja um estado de “perda de consciência”.
Por estado de “perda de consciência” (não falo de síncope), o mais usual é a ira. Uma pessoa irada “perde” o controle dos seus atos, por mais controlada e obediente as regras sociais/religiosas. Fala coisas de "cabeça quente". Age de forma impulsiva, toma decisões precipitadas que poderão lhe custarem caro posteriormente. Logo, a pessoa que obedece friamente uma regra, tende a violá-la no primeiro estágio em que algum tipo de paixão se manifesta (paixão no sentido de cólera, furor, ação fora dos limites da razão).
Já a pessoa que tentar agir por autossuficiência, de certa forma, estará obedecendo a lei ou a moral (enquanto consciência autônoma do sujeito) ou estará manifestando um orgulho/soberba por sua própria força. 
A vulnerabilidade da autossuficiência é, além da mesma já citada na legalidade, a pressão contrária constante. Você corre risco, a todo momento, de ceder, pois ninguém é forte, racional, calmo, tranquilo etc., 100% do tempo. À menor abertura, a pessoa poderá sucumbir na situação e, além de ter que lidar esta, também terá de lidar com a culpa por não ter resistido com suas próprias forças.
Poderia elencar outras questões, mas acredito que a legalidade e a autossuficiência resumem grande parte delas. Uma pessoa, quando age por sua própria vontade, normalmente o faz obedecendo alguma coisa (legalidade) ou tenta lidar com suas próprias forças (autossuficiência).

A questão da liberdade
A melhor forma de lidar um problema (em sentido geral) é a liberdade.
Só que esta liberdade não se constitui um aval para "fazermos o que bem entendermos", mas exatamente o contrário. Quando falamos em liberdade, devemos nos lembrar de qual é a fonte desta: o conhecimento da verdade.

“Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.
(João 8:31-32)

Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.
(João 17:17)

Antes que seja mal interpretado, esclareço: isso não é sinônimo que nossos problemas serão “resolvidos”. Pelo contrário. Isso é sinônimo que, até mesmo, alguns deles, nos acompanharão até o final da nossa vida. Conhecendo a verdade, alicerçando-se na palavra, passamos a entender a finalidade de situações assim.
Diante de tanto triunfalismo pregado nos últimos dias – “eu declaro a vitória”, “7 passos para o sucesso”, “Culto da Vitória” etc. – é difícil entendermos que a liberdade em Cristo, abre-nos uma perspectiva nova dos problemas da vida, inclusive, com a “aceitação” destes.

E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto”
Romanos 8:28

Você poderá questionar: Se todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus, por que temos problemas/dificuldades/tentações?
Agora, reformulamos a questão para:  A que tipo de bem se refere à palavra de Deus? Ao bem que eu almejo para mim, ou, o bem que Deus almeja?
Matthew Henry responde claramente no seu comentário bíblico:

O bem que se refere a palavra de Deus é o que é bom para os seus filhos; é o que faz boa sua alma. Toda providência tende ao bem espiritual dos que amam a Deus: afastando-os do pecado, aproximando-os a Deus, tirando-os do mundo e equipando-os para o céu. (adaptado) (grifos nossos)

Analisando o texto bíblico e a citação, chegamos à conclusão que muitas coisas acontecem na nossa vida para que abramos mão do nosso ego, do nosso “eu”. No momento em que reconhecemos que nada somos, mas que a Graça de Deus nos basta, começamos a enxergar sob nova perspectiva as adversidades.
Paulo tinha um espinho na carne, e, mesmo tendo orado ao Pai por três vezes, não foi removido. Qual era o propósito deste ‘espinho’?

  Para impedir que eu me exaltasse por causa da grandeza dessas revelações, foi-me dado um espinho na carne, um mensageiro de Satanás, para me atormentar.
  Três vezes roguei ao Senhor que o tirasse de mim.
  Mas ele me disse: "Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza". Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim.
  Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco é que sou forte.
2Co 12:7-10

Aquilo que antes era um problema, fonte de reclamações, entendamos que pode ser Deus confrontando-nos para que viemos a refletir à imagem e semelhança de Cristo. O homem não é confrontado em momentos alegres e júbilos de felicidade. Pelo contrário, costumamos ser confrontados pela dor, luta, problemas e tentações.
Por fim, respondendo a pergunta do título, aprendemos a lidar com algumas situações adversas, no momento que entendemos a finalidade deles: nos conformar à imagem de Cristo instruindo-nos a viver sob a Graça de Deus e não conforme a nossa própria vontade e força. Entender e viver desta forma não é algo que acontece, simplesmente, da noite para o dia, mas na verdade, é praticar aquilo que sempre aprendemos através das Escrituras Sagradas.

A Paz de Cristo Jesus a Todos.

L. L.

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