terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Pastor menciona distorções bíblicas na campanha de Silas Malafaia e Mike Murdock: “Temos uma teologia esfacelada, sem uma direção concreta”. Leia na íntegra

Pastor menciona distorções bíblicas na campanha de Silas Malafaia e Mike Murdock: “Temos uma teologia esfacelada, sem uma direção concreta”. Leia na íntegra
A polêmica em torno da nova campanha de arrecadação lançada pelo pastor Silas Malafaia ao lado de Mike Murdock durante a última edição do programa Vitória em Cristo, continua.
Numa abordagem a partir do ponto de vista institucional em relação ao fortalecimento da igreja, o pastor Paulo Siqueira,colunista do Gospel+, publicou em seu blog Pedras Clamam, uma extensa crítica não apenas à campanha de Malafaia e Murdock, mas também ao nível de conhecimento bíblico entre os evangélicos.
“O que se ouviu nesse programa é um ultraje a tudo o que temos no Brasil em forma de pensamento teológico. Silas Malafaia e Mike Murdock abusaram do direito de menosprezar a interpretação bíblica e toda a tradição cristã brasileira”, protestou o pastor.
Segundo Siqueira, que é conhecido por encabeçar o Movimento pela Ética Evangélica Brasileira(MEEB), “já foi o tempo em que pastores, missionários americanos chegavam em nosso país como donos do saber, e o povo ficava de boca aberta aplaudindo. Hoje temos em nosso país homens e mulheres com autoridade para interpretar os textos sagrados com maestria”.
Para o pastor, no Brasil atualmente não há uma uniformidade na pregação e ensino da Palavra de Deus: “Temos uma teologia esfacelada, sem uma direção concreta. Cada instituição defende e prega sua própria teologia”.
Siqueira questiona as motivações de Malafaia e Murdock ao promoverem o livro O Desígnio, de autoria do segundo, em detrimento à Bíblia: “Como pode um pregador, em uma pregação num programa de TV, onde a Bíblia fica em segundo plano em cima de uma mesa, e o pregador exalta seu livro ao ponto de dizer que o livro é: poderoso!?! A pregação deve ser bíblica, deve levar o ser humano a reconhecer sua situação e confessar a Deus e crer em Sua obra”.
A manipulação é uma das hipóteses levantadas pelo pastor Paulo Siqueira, que enxerga nas ações da dupla uma tentativa de impor conceitos: “A ênfase no título de doutor de Murdock é para impor sobre um público formado na sua maioria de ignorantes e mal-informados teologicamente, uma forma de dizer: ‘ele sabe mais do que eu’”.
O argumento apresentado pelo pastor Siqueira é reforçado, por ele, a partir de observações sobre o contexto em que a campanha foi lançada: “Silas é psicólogo, um profundo conhecedor da natureza humana, e tem usado esse conhecimento científico para aplicar a teologia da prosperidade de uma forma a não permitir que o que ouve se defenda de tão grande mal. Tudo tem um script, um método. É possível perceber nos pormenores, no dicurso de Murdock, técnicas de neurolinguística, com afirmações referidas em diversas repetições, e tudo isso firmado em textos isolados da Bíblia e orações. É uma forma de transe muito bem calculado e planejado para alcançar os seus alvos”.
Confira abaixo, a íntegra do artigo “O Brasil precisa de uma teologia”, do pastor Paulo Siqueira:
Depois de assistir ao programa Vitória em Cristo no último sábado pela manhã, apresentado pelo Pr. Silas Malafaia e com a participação especial do cidadão americano Mike Murdock (que é apresentado como “doutor”, porém não se diz em que), cheguei à conclusão de que é preciso rever com urgência o ensino teológico brasileiro, e o que muitos estão fazendo com esse conhecimento.
O que se ouviu nesse programa é um ultraje a tudo o que temos no Brasil em forma de pensamento teológico. Silas Malafaia e Mike Murdock abusaram do direito de menosprezar a interpretação bíblica e toda a tradição cristã brasileira.
O que foi apresentado em forma de pregação ultrapassa todos os limites permitidos para um país que se declara cristão. Lembro-me do tempo em que pastor pregava e ensinava a Bíblia, e não se utilizava desse espaço para falar de um livro com ideias pessoais, colocando-o acima do texto sagrado.
O cristianismo tem uma história, uma tradição que está acima de tudo isso. Já foi o tempo em que pastores, missionários americanos chegavam em nosso país como donos do saber, e o povo ficava de boca aberta aplaudindo. Hoje temos em nosso país homens e mulheres com autoridade para interpretar os textos sagrados com maestria.
O que Silas e Murdock fizeram foi um desrespeito a muitos que se dedicam, por uma vida toda, nos estudos da Palavra de Deus. Isso foi feito pelo referido pastor, pois o mesmo sabe das condições das lideranças evangélicas brasileiras, pois na sua maioria (principalmente nos meios pentecostal e neopentecostal), não possui uma formação teológica e, quando possui, não é de boa qualidade.
É fácil de ver anúncios em rádios, em programas evangélicos oferecendo cursos de teologia em forma de correspondência, onde o aluno paga e o material lhe é enviado com o diploma. Por outro lado, quando o ensino é de boa qualidade, muitos utilizam esse conhecimento para encher o seu ego e o de muitas instituições religiosas detentoras do saber.
Para muitos, o conhecimento teológico é utilizado como forma de defesa de uma teologia institucional. Sendo assim, não é repassado para o povo. O conhecimento que deveria dar condições ao povo de se defender de teologias como a que Silas e Murdock ensinaram não chega ao povo, pois muitos que o possuem usam isso para enriquecer seus currículos e para barganhar cargos e posições dentro de suas instituições religiosas.
Com isso, temos uma teologia esfacelada, sem uma direção concreta. Cada instituição defende e prega sua própria teologia.
“Uma teologia que não projeta a vida, para nada serve”.
É preciso rever nossa realidade urgentemente. Não podemos mais ter pregadores ultrapassando os limites da realidade.
“Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas. Mas nem todos têm obedecido ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.” – Romanos 10:14-17
A Palavra está à nossa disposição, para ser tomada a sério, para se fazer valer, pronta para nos afligir o mais pesadamente possível, e para nos dar a liberdade no mais alto grau; ela está à nossa disposição para ser ouvida e falada.
A Palavra de Deus deve ser pregada com o intuito de levar o ser humano a se arrepender dos seus pecados e vir a se converter a Deus e confessar, com sua boca, a salvação em Cristo.
Como pode um pregador, em uma pregação num programa de tv, onde a Bíblia fica em segundo plano em cima de uma mesa, e o pregador exalta seu livro ao ponto de dizer que o livro é: poderoso!?!
A pregação deve ser bíblica, deve levar o ser humano a reconhecer sua situação e confessar a Deus e crer em Sua obra. O texto de Romanos nos diz:
“E como poderão crer Nele, se Dele não tiverem ouvido? Mas como poderão ouvir sem pregadores?” – Romanos 10.12-15.
O que vimos no sábado foram homens substituindo a Palavra de Deus por pensamentos humanos, substituindo as obras de Deus por obras de homens. A pregação cristocêntrica apresenta o Senhor ressurreto perante todos os que o invocam, pois Ele (o Senhor) não é um fundador de igrejas e de novas religiões, Ele é a justiça de Deus para todos no mundo.
Então, pois, a fé vem pelo ouvir, e o ouvir do Evangelho, que é a revelação de Deus para os seres humanos.
Será que esses homens não temem a Deus? Por que deixam de lado a pregação cristocêntrica para transformar a pregação num discurso de auto-ajuda?
Infelizmente, a Igreja tem o “dom especial” de promover as pessoas, transformando-as prontamente em líderes todo o indivíduo que pareça perceber uma pouco mais que alguns outros. Sendo assim, é comum observar que a mensagem central da igreja se fundamenta no interesse mútuo de levar algum tipo de vantagens. É o evangelho intencional, com ideias já pré-formadas de que algo será alcançado.
Muitos já não conseguem mais servir a Deus pelo Seu amor, por Sua misericórdia ou por Sua Graça. Hoje, para muitos, tudo no contexto religioso há uma primeira, segunda e demais intenções.
A igreja é fonte de auto-promoção, de quem fala e também de quem ouve. Por isso, a palavra prosperidade é a grande evidência, pois no sistema capitalista ter e possuir ultrapassam os limites do ser.
Este é o centro da mensagem de Silas e seu amigo americano. A ênfase no título de doutor de Murdock é para impor sobre um público formado na sua maioria de ignorantes e mal-informados teologicamente, uma forma de dizer: “ele sabe mais do que eu”.
Com isso, a igreja vai perdendo a sua essência, pois a igreja invisível perde espaço para o contexto visível, palpável do capitalismo, que exige uma espiritualidade também palpável. Por que experimentar o melhor de Deus no céu, se eu posso ter tudo aqui e agora?
A teologia da prosperidade produz em quem prega e em quem ouve um desequilíbrio na alma, despertando os desejos mais profundos no ser humano. Não é de hoje que somos vulneráveis a querer todo o conhecimento e todas as riquezas da terra.
É preciso dizer que Silas e Murdock são homens audaciosos. A teologia que pregam foi previamente calculada, fundamentada em uma ciência que vai fundo na Gênesis do ser humano. Somos seres desejosos, e temos nossas fraquezas na relação espiritualidade e desejos deste mundo.
Silas é psicólogo, um profundo conhecedor da natureza humana, e tem usado esse conhecimento científico para aplicar a teologia da prosperidade de uma forma a não permitir que o que ouve se defenda de tão grande mal. Tudo tem um script, um método. É possível perceber nos pormenores, no dicurso de Murdock, técnicas de neurolinguística, com afirmações referidas em diversas repetições, e tudo isso firmado em textos isolados da Bíblia e orações.
É uma forma de transe muito bem calculado e planejado para alcançar  os seus alvos. As considerações pelas coisas da vida terrena, especialmente as vantagens, os prestígios e os prazeres que as riquezas podem proporcionar têm roubado a muitos prováveis discípulos as riquezas verdadeiras e permanentes.
Eclesiastes 6.7 nos diz: “Todo o trabalho do homem é para a sua boca, e contudo nunca se satisfaz o seu espírito”. E em Lucas 4.6 vemos: “E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero”.
É preciso ter consciência de que a teologia da prosperidade se fundamenta em forças que o ser humano não pode vencer por si só, a não ser que esteja respaldado pela direção e capacitação da Palavra de Deus, pois as riquezas e os prazeres da terra têm suas armadilhas para a alma e o espírito. É muito difícil manter um padrão de humanização diante das tentações do luxo e das riquezas, pois luxo e cristianismo são palavras antônimas, pois as riquezas sufocam o ser humano, produzindo vaidade e cobiça, levando a todos que enveredam por esses caminhos a perderem a visão do seu próximo e de toda a criação.
Teologia da Semente
Estou exagerando? Analise a história da humanidade e veja o que as grandes potências mundiais fizeram ao mundo e aos seres humanos em nome da conquista de riquezas e poder.
Infelizmente, pentecostais e neopentecostais utilizam, para justificar sua teologia da semente, o texto de 2 Coríntios capítulo 9, principalmente o versículo 10. Temos a impressão de que querem justificar que o Apóstolo Paulo seja o criador da teologia da prosperidade.
Isso não é verdade. J. Becker, em sua obra “Apóstolo Paulo – Vida, Obra e Teologia” destaca que a teologia central do Apóstolo Paulo é a teologia da cruz. Utilizar-se de um texto paulino para justificar a busca por riquezas é uma grande vergonha, pois a doutrina dos verdadeiros apóstolos de Cristo se fundamenta na cruz de Cristo, que veio salvar o perdido e veio trazer vida eterna.
Há muita confusão na interpretação desses textos. Muitos são os exegetas que se dedicam ao estudo do texto bíblico no sentido de trazer orientação para o caminho cristão. É preciso destacar que no capítulo 9 as orientações de Paulo têm como tema central: a coleta de benefícios  para os santos e pobres de Jerusalém.
Paulo trata das questões de coletas e doações em diversos textos em suas cartas. Porém, sempre dando sentido para o assunto. Isso está descrito de forma bem clara em 1 Coríntios 16.1-2. O capítulo 9 de 2 Coríntios é considerado por muitos estudiosos como continuidade do capítulo 8, pois enquanto no capítulo 8 o apóstolo descreve a situação enfrentada pelos irmãos em Jerusalém, também fundamenta a ação da coleta pelo exemplo dado pelos macedônios.
No capítulo 9, Paulo descreve toda a espiritualidade do ato de envia ajuda aos irmãos de Jerusalém. É preciso deixar claro que tanto no capítulo 8 como no capítulo 9 o fundamento é enviar ofertas para os pobres de Jerusalém.
Para entendermos melhor o contexto do capítulo 9, é preciso entendermos o 8, pois Deus é galardoa dor daqueles que contribuem com liberalidade. Porém é preciso entender que o ensino aqui descrito é que o dar é uma obra espiritual, que leva os beneficiados a louvar a Deus. Ou seja, não devemos esquecer os que sofrem, e por isso nossas esmolas faz-nos exercer a piedade prática no sentido de aliviar as necessidades físicas e espirituais dos pobres, dos órfãos, das viúvas e dos demais que sofrem.
A pergunta é: por que Paulo dá tamanha importância a essa oferta? A resposta é: havia grande aflição em Jerusalém, pelas perseguições contra a igreja e os crentes.
Atente a isso agora: o texto central utilizado pelos pregadores da prosperidade é 2 Coríntios 9.6, com a intenção de levar a muitos a substituir as sementes (as ações de misericórdia e amor) por dinheiro. Porém, o texto de 2 Coríntios 9.6 em momento algum se refere ao semear dinheiro, com o intuito de adquirir bens materiais. O texto se fundamenta em Gálatas 6.7-8: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna.”
Paulo descreve que tudo o que fazemos (plantamos), seja bom ou ruim, é visto por Deus, e isso resultará em consequências. Em momento algum Paulo descreve a questão de dinheiro, de enriquecimento. Essa referência ao texto de Gálatas é o reforço de Paulo em justificar os atos de bondade dos seres humanos para com os que sofrem. Na teologia da cruz de Paulo, o Cristo é representado em prol dos que sofrem. O ato de ofertar na coleta dos santos e pobres é um ato de bondade, que espelha o ato de Cristo para com o mundo.
Ou seja, aquele que semeia “pouca” bondade, pouca bondade também colherá.
Quando o texto diz que é Deus quem dá a semente, essa semente é o exemplo de Cristo, que se deu pelo mundo para exemplo de todos nós. Pois, se vamos referir às cartas paulinas, principalmente as cartas aos Coríntios, é preciso dizer que o texto central desses dois livros se fundamenta em 1 Coríntios 13, onde o apóstolo coloca claramente que a obra de Cristo tem sua essência no amor ao próximo.
Com isso, o ato de ofertar é um ato de bondade, de amor, e não um ato de ganância da riqueza desenfreada que expõe o ser humano como um escravo do mundo material.
O ato de reconhecer a necessidade do meu próximo faz de mim um praticante da vontade de Deus.
Nada, nada a ver com a teologia apresentada por Malafaia, Murdock, Cerullo, Estevan Hernandes, R. R. Soares, Renê Terra Nova, Valdemiro Santiago, entre outros.
Para terminar, vejamos 2 Coríntios 9.9: “conforme está escrito: espalhou, deu aos pobres; a sua justiça permanece para sempre”.
Meu Deus, quanto engano na boc a desses homens! E isso seria facilmente resolvido se o povo tivesse acesso ao conhecimento desprovido do mercantilismo comercial de muitas igrejas.
Onde estão os teólogos deste país? O que estão fazendo com o conhecimento adquirido na Academia? Onde estão os profetas, que anunciam as verdades de Deus diante do mundo, sem temer as ameaças?
Para que homens como Malafaia, Murdock e outros sejam combatidos com a verdade do Evangelho é preciso que muitos voltem a pregar o Evangelho cristocêntrico, que revela a cruz de Cristo.
Que sejamos semeadores do amor, da justiça, da paz. E as demais coisas nos serão acrescentadas.
A DEUS, TODA A GLÓRIA
Paulo Siqueira
Por Tiago Chagas, para o Gospel+

2 comentários:

  1. Estou compartilhando pr Antonio, as pessoas precisariam gastar 10min para ler esse texto do pr Siqueira...

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