quarta-feira, 3 de abril de 2013

MUITO TRISTE: Hospital de Canguçu/RS. pode fechar as portas para pacientes do SUS no final do mês

 Data limite: Hospital de  pode fechar as portas para pacientes do SUS no final do mês


Foto: Xiru Gonçalves
Presidente em exercício avalia que Hospital teve 15 anos de prejuízos contabilizados em atendimento pelo SUS

Caso não seja firmado um novo convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS), direção afirma que 90% dos pacientes ficarão sem atendimento

O encerramento das atividades do Hospital de Caridade para pacientes do SUS já tem data marcada. A partir do dia 30 de abril, a instituição fechará as portas para todos que buscam atendimento gratuito de saúde. A afirmação é do vice-presidente da entidade – e atual presidente em exercício – Ernesto Arndt Neto. Segundo o médico, o déficit mensal do Hospital ultrapassa R$ 130 mil e a medida será adotada caso não seja firmado um novo convênio.

 – Se não efetuarmos o convênio com o SUS neste mês de abril, dia 30 será o último dia de atendimento – afirma.

O médico explica que, apesar dos boatos de fechamento total do Hospital, os atendimentos particulares e alguns convênios serão mantidos. Numa corrida contra o tempo, Arndt Neto esteve reunido nesta segunda (1º) com o secretário municipal de saúde, Arion Nunes. O diretor reconhece que os valores repassados pelo Governo Federal a Canguçu impossibilitam um apoio maior por parte do Município. Na próxima sexta (5), a reunião será com a Superintendência Regional de Saúde.
Durante cerca de 30 minutos, o médico conversou com a reportagem do jornal Canguçu On Line. Confira alguns trechos da entrevista concedida nesta terça (2).

O atendimento aos pacientes

O Hospital é um prestador de serviços. Falem o que falar. Nós prestamos um serviço de excelência perante o SUS, se formos comparar com outros locais do Brasil. Vejam no Hospital da Universidade Federal: cadeiras de madeira caindo aos pedaços... E isso que eles têm todo o dinheiro do mundo, porque os funcionários não são pagos pelo SUS, e sim pelo Governo Federal. O Governo deve entender que precisa pagar pelos serviços que nós estamos prestando.

Relação com a Prefeitura:

Entre o mar e o rochedo, quem se arrebenta é o siri. E na saúde, quem se arrebenta é o município. Estive duas horas e meia reunido com o secretário (municipal de saúde, Arion Nunes), analisando o orçamento. É uma vergonha o que eles (Governos Federal e Estadual) obrigam os municípios a cumprir em termos de legislação, mas sem repassar os devidos recursos. Isto são piadas da política brasileira.

Consequência do fim do atendimento pelo SUS

Quem tiver condições (de pagar a internação), será atendido aqui. Mas a maioria das pessoas precisará se deslocar a Pelotas e permanecer na fila por dois, três, cinco ou seis dias – enfermo – até ser atendido. A prefeitura terá de fazer convênios com hospitais de Pelotas, criar Pronto Socorro, colocar cinquenta ambulâncias e ônibus por dia transportando pacientes...

A dívida total do Hospital

Não posso fornecer esses dados, porque precisaria entrar a fundo na contabilidade do Hospital. O que posso afirmar é que são 15 anos de prejuízos contabilizados, graças ao SUS. Se analisarmos o que o SUS paga hoje, não chega a 50% do que pagava a 15 ou 20 anos.

A situação da UTI

Não recebemos mais pacientes porque não há corpo médico para atender. E justamente por fatores econômicos. Abriram novas UTI’s na região, inclusive particulares, pagando cerca de 70% além da nossa capacidade. Para reabrirmos a UTI, deverá ocorrer uma negociação com o Governo do Estado, viabilizando um aumento de recursos, atendendo a média mínima paga na região.

Paciente que precisava de tratamento intensivo faleceu no domingo (31)

Chegam pacientes necessitando de atendimento na UTI. Tentamos encaminhar, mas não existem vagas na região. Só para citar um exemplo, nesse domingo (31), uma paciente que já havia sido atendida com sucesso três vezes em nosso setor de UTI, precisou novamente de atendimento. Encaminhada para Pelotas, ela faleceu três horas após, porque precisou ficar no setor de emergência do Pronto Socorro.


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