segunda-feira, 28 de março de 2016

Índios caingangues pedem ajuda após temporal



Se as condições de vida das 16 famílias de índios Caingangues que estão acampadas às margens da BR-293 já não eram as ideais, depois do temporal do fim de semana ficaram ainda piores. O chão virou barro. A única cobertura foi pelos ares e os colchões e cobertas ficaram encharcados. As poucas peças de roupas limpas para as crianças frequentarem a escola molharam e insistem em não secar.
Sentados à beira da estrada, os índios se organizam em seus trabalhos artesanais e na distribuição dos 300 metros de lonas doadas pela Defesa Civil. Mas ainda faltam mantimentos, cobertores, colchões e, principalmente, água potável.
O cacique Pedro Salvador Oreten, 53, disse que alimentos foram perdidos durante os dias de mau tempo. Ele também revela que falta estrutura para dormir. "No dia do temporal no juntamos todos. Onde estava seco, nós íamos. Onde podia segurar, nós segurávamos. Um ajudava o outro", relatou. Quando a situação ficou crítica, o cacique pensou em pedir ajuda aos responsáveis pelo Terminal Rodoviário, para - ao menos - garantir um abrigo seguro aos pequenos indiozinhos.
Passado o susto do vento, Pedro volta a se preocupar com a retirada da tribo do local em que está. Ele conta que há quase cinco meses aguarda uma resposta da prefeitura sobre um local definitivo para a tribo morar. "Gostamos de Pelotas. Queremos ficar aqui e dividir nossa cultura com os pelotenses", garante.
Sem "sinal de fumaça" do Executivo, o cacique pretende, com a ajuda de vereadores, marcar uma audiência com o prefeito Eduardo Leite (PSDB) para agilizar a situação. "Meu medo é a 'BR'. As crianças atravessam para ir à escola e é muito perigoso. Temos que sair da beira da estrada."
Enquanto a prefeitura não decide o destino dos Caingangues, os índios seguem a trançar suas cestas à espera, desta vez, de ventos melhores.
 Postado por Jornalista Augusto Pinz em Canguçu em foco-

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