A Câmara dos Deputados aprovou por 358 votos a favor e 32 contra, na última quarta-feira (04), o projeto de lei (PL) 4.606 de 2019, que ainda promete render debates. Isso, porque, o texto prevê a proibição de “qualquer alteração” nos textos da Bíblia Sagrada, o que compreende o Antigo e o Novo Testamentos.

“Fica vedada qualquer alteração, edição ou adição aos textos da Bíblia Sagrada, composta pelo Antigo e pelo Novo Testamento em seus capítulos ou versículos, sendo garantida a pregação do seu conteúdo em todo território nacional”, diz a proposta.

O PL é de autoria do deputado Pastor Sargento Isidório (Avante-BA), que falou na tribuna da Câmara em sua defesa. O parlamentar argumentou que a Bíblia é um livro sagrado utilizado por diferentes matrizes religiosas, motivo pelo qual deve ter uma lei que proteja a integridade do seu conteúdo.

A intenção do parlamentar é proibir que palavras ou determinados trechos da Bíblia sejam alterados por interesses diversos, a exemplo da “Queen James Bible” (Bíblia Rainha James), lançada por ativistas LGBTs, cujo texto suprime as referências que condenam a prática homossexual.

Outro exemplo a ser evitado é o da bíblia feminista “in gerechter Sprache, lançada na Alemanha anos atrás, cujo texto traz a figura de Deus como “A Eterna”, substituindo os pronomes masculinos pelos femininos.

Ponderações

Por outro lado, críticos do projeto de lei do pastor Isidório alegam que o PL pode prejudicar o livre exercício da liberdade religiosa no país. A a líder do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) na Câmara,  por exemplo, deputada Sâmia Bomfim (SP), se posicionou contra a proposta.

“Não compete ao Parlamento interferir sobre os objetos de cunho religioso e sagrado. O que seria o texto original da bíblia se existem várias religiões dentro do próprio cristianismo?”, questionou a parlamentar.

O deputado Gilson Marques (Novo-SC) também questionou, segundo o Poder360: “O texto em diversas vezes já foi alterado, em diversas línguas e diversas versões, é o Parlamento que vai decidir qual é o texto correto?”.

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O deputado Isidório, contudo, discorda das críticas, argumentando na justificativa do projeto de lei que alterações de conteúdo no texto bíblico significam “intolerância religiosa” e um desrespeito ao cristianismo.

“Nós Cristãos, mais de 89% dos brasileiros segundo o IBGE, consideramos a Bíblia a Palavra de DEUS na Terra. O que torna qualquer alteração na redação deste Livro um ato mais que absurdo, flagrantemente uma INTOLERÂNCIA RELIGIOSA e porque não dizer uma grande ofensa para a maioria dos brasileiros, independente da sua religião”, afirma o pastor. Fonte Gospel Mais

Importante salientar o que a biblia diz sobre este tema.

Em relação a acrescentar qualquer coisa que não está no texto bíblico, encontramos no livro do Apocalipse:

Na tradução Almeida:

Em Ap 22, 18-19: “ Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; e se alguém tirar qualquer cousa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa das cousas que se acham escritas neste livro”.

E no livro do Deuteronômio:

Na tradução Almeida:

Em Dt 4, 2: “Nada acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor, vosso Deus, que eu vos mando”.